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SEM EMPREGO, PROFISSIONAIS ACEITAM TRABALHAR POR MENOS

Valor Econômico

A maioria dos profissionais com formação superior que estão desempregados aceitaria uma proposta de emprego com um salário pelo menos 15% menor do que o recebido no último trabalho, aponta levantamento da empresa de recrutamento Robert Half. Entre os empregados, mais de um terço aceitaria receber um salário um pouco menor do que o atual para uma posição que considerassem mais interessante.

Mais de 90% dos respondentes desocupados aceitariam uma proposta de emprego com salário menor do que o recebido no último trabalho. Desses, 21% estariam dispostos a diminuir a remuneração em até 10%, e 17% aceitariam um corte entre 10% e 15%. A maioria, 62%, encararia uma diminuição de mais de 15%, sendo que um terço (33%) aceitaria ganhar uma remuneração diminuída em mais de 20%.

Os dados foram levantados na pesquisa do Indicador de Confiança Robert Half, índice publicado trimestralmente que mede a confiança no mercado de trabalho de profissionais com mais de 25 anos e formação superior, empregados e desempregados, e de recrutadores. Foram ouvidos mais de mil respondentes.

Entre aqueles que estão empregados, há disposição para receber um pouco menos em um emprego novo se a proposta for mais interessante que o trabalho atual - 34% dos respondentes aceitariam esse cenário. O diretor geral da Robert Half, Fernando Mantovani, considera esse número significativo, em especial quando se lembra dos picos de salários vivenciados pelo mercado brasileiro há cerca de cinco anos, quando profissionais qualificados podiam escolher entre diversas propostas e os salários alcançaram níveis altos.

"A remuneração não é mais um grande atrativo, a carreira, a relação com o gestor e a qualidade de vida muitas vezes vem na frente", diz Mantovani, reforçando que essa postura é mais comum nas gerações mais novas. "Às vezes vale a pena mudar para uma empresa em que há mais perspectivas, mesmo com salário menor." Quase 20%, em contraponto, trocariam de emprego se recebessem uma proposta similar à atual, mas com remuneração maior, e 48% só considerariam uma movimentação se a nova vaga fosse mais interessante e trouxesse um incremento no salário.

Entre os recrutadores que participaram da pesquisa, 31% consideram que está mais difícil hoje recrutar alguém que está empregado, na comparação com o início da crise, enquanto 50% não veem diferença, e 19% acham que está mais fácil.

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